MX Brasil passado a limpo | CARA a CARA com Firmo Alves – Presidente da CBM

 

A S2 Sports conversou com Firmo Alves – Presidente da CBM deste de agosto de 2011 … em agosto próximo completa 8 anos a frente da MAIOR entidade do país quando o assunto é motociclismo.

 

Na conversa cordial foram abordados assuntos sobre o atual momento do Motocross Brasileiro, sobre o papel das Federações Estaduais e abordados assuntos que envolve a Lei Pelé … que rege leis sobre as Confederações Esportivas no país.

 

Em todos os momentos do longo bate papo … Firmo foi sempre cordial e atencioso conosco … então sem mas enrolação vamos ao que foi indagado e dito.

 

CARA a CARA com Firmo Alves

 

Qual o poder da CBM sobre uma Federação?

–  Nenhum. A CBM é formada por um grupo de associados (federações) e é esse grupo que tem poder sobre a CBM.

 

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A CBM tem acesso ao estatuto de todas as Federações?

–  Sim. Para estar apta a exercer seu direito de voto e participação em Assembleia, uma Federação deverá entregar a CBM o seu Estatuto e termo de posse atualizado.

 

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Um piloto pode ter acesso ao estatuto das federações?
–  Poucos sabem, mas o estatuto é um documento público, basta que o interessado se dirija ao cartório de registros e solicite uma cópia.
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Como um piloto pode fiscalizar sua federação estadual?
–  Essa pergunta é mais interessante e importante. O piloto é um interessado direto na Federação e a partir do momento que o mesmo é portador da licença (filiado) da entidade, ele tem poder jurídico indireto sobre a mesma. O correto é ele ser associado de um Clube que é associado a entidade, assim ele também tem o poder de voto, e também de participar de uma assembleia e nela, fiscalizar a prestação de contas e as atividades da Federação. Não adianta falar mal da entidade em Redes Sociais, o que ele (piloto) tem que fazer é ser atuante politicamente, para que assim, o seu presidente possa desenvolver um bom trabalho em seu Estado. 
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Acredito que é necessário preencher um check list para uma federação fornecer alvará para um evento ser realizado … conheço casos na minha região que o alvará nem é entregue … apenas é dado um recibo … e federação nem no evento vai … mas anuncia em suas redes sociais que o evento é oficial … isso tá errado concorda?
–  Olha… Acho isso muito complicado, vou falar pelos meus atos e tentar explicar essa situação. Como as Federações são entidades juridicamente independentes e para os que não tem conhecimento, isso significa que uma Federação goza de autonomia total, seja de ordem administrativa, financeira e também desportiva, ou seja, ela não tem que dar a CBM, nenhum tipo de satisfação sobre seus atos, contudo aos seus associados é diferente, ai ela tem que dar vários tipos de satisfação, inclusive todos esses já mencionados acima. Eu vejo isso da seguinte maneira, tem ato que é ilegal e imoral, outro apenas imoral e outro não é nem ilegal e nem imoral. Me vejo a vontade para falar sobre os meus atos. Quando “acerto” uma etapa de Campeonato Brasileiro, eu envio ao promotor do evento, um Check List, nele contem o que é necessário para que se possa realizar uma etapa de Campeonato Brasileiro, o promotor aceitando, automaticamente, segue junto o documento homologando a etapa em questão. Ao longo da minha carreira como Dirigente Esportivo e dentre outros cargos em Federações e CBM, como presidente da Federação de Motociclismo de MS e da CBM, nunca “vendi” um alvará sequer(vender apenas um papel) e desafio aqui publicamente alguém provar o contrário. Eu tenho um pensamento que é o seguinte, se você puder, vá lá e faça a prova acontecer, caso seja um evento que está começando, incentive para que ele fique grande o suficiente, para que possa futuramente receber uma etapa de um estadual ou até mesmo um brasileiro, me desculpe os que pensam o contrário, sou contra vender papel. Na minha época como presidente da FEMEMS, eu fornecia gratuitamente o alvará de homologação da prova, se eu vislumbrasse que o promotor iria cumprir com todas as exigências, principalmente de segurança. Eu entendo que devemos “trazer” para perto da Federação as pessoas que fazem corridas, incentivar, fazer com que os eventos ”piratas” se tornem grande o suficiente para que no futuro sejam eventos oficias, válidos por etapas de estaduais e posteriormente de brasileiro. É o que penso e é como fiz e como faria se voltasse a ser presidente de uma Federação Estadual.  
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Pode o presidente de uma federação ser diretor de prova em outro estado, sendo o evento não reconhecido pela federação do outro estado?

–  O Presidente de uma Federação ou até da CBM, pode ser Diretor de Provas (árbitro), seja no Estado dele, em outro Estado, e também seja de provas válidas por um Metropolitano, Estadual, Regional ou Brasileiro, contudo um presidente ser Diretor de Provas em outro Estado de uma prova não homologada, isso no mínimo é imoral e pode ser levado ao Superior Tribunal de Justiça Desportivo da CBM e ser considerado um ato ilegal, podendo essa pessoa correr o risco de perder até o cargo que exerce de Presidente em sua Federação.

 

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Que orientação vc daria a pilotos dos quatros cantos do país para ajudar a fiscalizar as entidades …para que a lei seja cumprida e o esporte seja valorizado?

–  Se você atleta perceber que algo está errado em seu Estado, faça uma reclamação formal por escrito em sua própria Federação, se mesmo assim, o possível erro perdurar, “leve” essa reclamação a CBM, que se a mesma proceder, iremos tentar intervir junto a Federação em questão. Caso mesmo assim, você entenda que nada foi feito, faça uma denúncia formal ao STJD da CBM. Nesse caso, com toda certeza, se a denúncia proceder, a Federação será punida pelos erros do seu presidente ou o próprio presidente será punido por cometer e manter tal fato. O erro fatal é que quando um atleta se sente lesado pela sua Federação, ao invés de fazer o procedimento correto que descrevi acima, ele vai nas redes sociais e fala mal do evento. Isso é muito maléfico para o esporte, porque ele pensa que está atingindo apenas o Presidente da Federação ou a própria Federação, mas não, todos estão vendo e com isso, acaba prejudicando o esporte como um todo e a só próprio também. Só para conhecimento, um diretor da marketing de uma grande indústria de motos e também o próprio dono de uma grande indústria de moto peças me disse que não quer mais patrocinar atletas ou o próprio esporte, porque o próprio participante fala mal do “negócio” em redes sociais e isso não é saudável para a empresa dele. Portanto, se ver algo errado, faça o caminho correto, procedendo dessa maneira, você irá atingir o seu objetivo, sem prejudicar o esporte que você tanto ama e a si mesmo.

 

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Obrigado Firmo por sua atenção ao trabalho da S2 Sports e aos amantes do motociclismo, fique a vontade para qualquer outro esclarecimento!

–  O atleta/piloto tem um  poder grandioso, e esse poderá ser exercido dentro da legalidade. O problema é que muitos deles já começam errado, não querendo portar a licença CBM e participando de provas piratas’. Eles tem que entender que as piratas só existem porque tem pilotos que participam. Se eles não participarem mais de provas piratas e ao mesmo tempo, cobrarem das Federações provas bem organizadas, a própria Federação poderá “entregar” um evento muito maior e melhor para os seus atletas. 

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Nota
A S2 Sports agradece a todos os esclarecimentos prestados por Firmo Alves – Presidente da CBM … acho que a matéria tá clara que existe meios legais para que os pilotos (licenciados claro) possam fiscalizar seus direitos perante as Federações Estaduais … Sou Talvan Teixeira da S2 Sports e estou a disposição para qualquer outro esclarecimento através do WhatsApp 82 98235 1121 … O esporte que amamos precisa ser passado a limpo da forma correta, conto com o apoio de todos que como eu amam essa modalidade e a querem ver cada dia melhor … Viva o Motocross #braapp.

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Talvan Teixeira | editor

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