Force Cam opina sobre regulamento do Brasileiro da categoria 230cc

Caio Lopes dominou, mas não foi campeão. Por quê?

 

Pois é amigos, esta é uma boa pergunta! Vencer 75% das provas (3 de 4 etapas) e liderar mais de 42 voltas de um total de 47, não foram suficientes para coroar Caio Lopes campeão. Mas o que será que causou essa distorção?

 

Muitos são os fatores e quase todos fora das pistas. Vamos tentar entender começando por analisar o regulamento feito pela CBM para a categoria 230cc.

 

 

Primeiramente, vamos verificar a importância da categoria mencionada. As motos nacionais de 230cc são de grande destaque comercial. Além de movimentarem o mercado nacional de vendas de forma mais ampla do que as motos importadas (em se tratando de off-road), ainda carregam consigo uma ampla indústria de peças e acessórios, juntamente com os diversos tipos de serviços prestados. Anualmente, são milhares de profissionais e empresas que tiram parte ou até mesmo todo o seu sustento deste aquecido comércio de motos nacionais fora de estrada, especialmente a 230cc e derivadas.

 

Diante da importância mercadológica das motos desta classe, e também da atual crise financeira pela qual passa nosso país, o que certamente afeta a todos, incluindo o esporte, ao nosso ver, a categoria 230cc deveria ser mais valorizada e destacada do que vem sendo atualmente no campeonato brasileiro de motocross. Antes de mais nada, apenas como efeito comparativo, em diversas regiões do país vemos gates lotados na categoria nacional (230cc), enquanto que não é raro ver em algumas provas a MX1 não largar por falta de competidores. Isto é um importante indicativo da situação contrastante que envolve tais classes de motos.

 

 

Voltando ao campeonato brasileiro, 7 etapas foram disputadas nas categorias MX1 e MX2, com 2 baterias cada, totalizando assim 14 baterias disputadas, ao passo que, na classe 230cc, foram apenas 4 provas de uma bateria (bem como a categoria MXF). A alegação oficial da CBM é que isso foi feito para diminuir custos, o que, até aí, faz sentido. Contudo, se há essa diferenciação por conta dos custos, o regulamento aplicado a esta categoria não deveria ser igual ao das outras. Ora, salta aos olhos a necessidade de regras específicas para uma situação específica. Por qual motivo não foi feito um regulamento que permitisse, por exemplo, uma chance de recuperação para os competidores que por ventura vieram a ter algum problema em uma das provas?

 

Como exemplo, vamos citar Carlos Campano, campeão da MX1. Vamos supor que na primeira bateria da primeira etapa, ele tenha uma situação de pneu furado, e assim, terminasse a sem pontuar. É óbvio que então ele terá outras 13 etapas para se recuperar, e com certeza ainda estaria com máximas chances no campeonato. Agora vamos aplicar a mesma situação na categoria 230cc: com o atual sistema de pontuação e apenas 4 etapas, ele teria alguma chance? Obviamente que não. E desta forma, por não ter mais chances e por haver alto custo com viagens, estrutura, e etc., é natural que o atleta tenda a abandonar o campeonato e não participar das etapas subsequentes, o que certamente comprometeria o nível das disputas e o campeonato perderia a graça e interesse.

 

 

Analisando friamente a forma como foi feito este ano de 2017, podemos dizer que o campeonato CBM da categoria 230cc não foi um campeonato de motocross velocidade, mas sim de regularidade, pois tivemos um campeão sem vitórias, mas que foi regular em seus resultados. Vale ressaltar que não estamos aqui julgando e nem desmerecendo o campeão, que é um ótimo atleta, além de nosso amigo. É apenas a constatação de um fator que precisa ser revisto e mudado. Há várias maneiras de fazer um regulamento de campeonato que ao final, de fato, recompense a equipe e o piloto que foram mais vitoriosos.

 

E é com respeito a todos, sem desmerecer ninguém, sem parcialidade e sempre na melhor das intenções de evoluir e engrandecer o esporte que amamos, que nos colocamos à disposição para ajudar a compor um regulamento mais efetivo, mais justo e que vise o sucesso desta tão importante categoria.

Um abraço a todos.

Atenciosamente,
Júlio Fonseca | Force Cam

 

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Talvan Teixeira | editor

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